sexta-feira, setembro 05, 2014

“chamar a si todo o céu com um sorriso”

Quando eu disse que quero sorrir
é por que rir é o grito do meu bando
dessas aves feitas de sol e chuva
nossa chave pra porta da rua
desse mundo que já está lotado.

Viver das coisas mais lindas
pequenas, invisíveis e de mentira.


Marina Ráz.

quinta-feira, agosto 21, 2014

Voltei

Eu canto nos cantos da alma
como o sol direto da palma
da mão que não se afasta
basta de todas as promessas
fitas de santo e cantiga de festas.


Marina Ráz.

terça-feira, janeiro 21, 2014


Para L.

Planto pequenas sementes
em suas pegadas ainda quentes,
delas nascem flores indígenas
dignas dos totens de outros tempos.
Marcos instransponíveis ao vento
que tenta carregar as lembranças
belas que deixou por essas bandas.

Marina Ráz.

sábado, junho 15, 2013


Par de meias

Para algo nos separar
terá que atravessar
todas as tempestades
que já vimos passar
ler todas as mensagens
que a vida nos entregou
em garrafas pelo mar
ouvir nossas vozes no vento
que o tempo não apagou
despencar do céu a terra
como um anjo que decide amar

Marina Ráz.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

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Para cada passagem, cada paisagem
que posso desenhar nos seus lábios,
o vento carrega todos o sons e tons
colorindo esse cenário, como um rio sorrindo,
uma força da natureza feita de beleza.

Pura.

Marina Ráz.

sexta-feira, agosto 24, 2012


Arroto de pedra

O olhar opaco, ralo e cansado.
Perscruta essa tempestade.
De gotas antigas, pterodátilas!

De quem é a herança
as penas, asas plenas,
de cada delicada pena.

Há tanta poeira.
E pouca poesia.

Deixo no fim, a mensagem,
"o mundo é pura paisagem".

Marina Ráz.

Litros d’água

Antes que o papel,
amarele seu dente
nesse meu sorriso;
ridente.

De poucas letras
rabisco o poema,
falo a estreletras,
falo, borboletras;
cadentes.

Marina Ráz.

Boneca de porcelana

Bem-te-vi, bem-te-vi.
Chorar será bastante?
toda a beleza é alma
ante a lágrima diamante.
pos, sob a tua palma;
Todo esse belo brilhante,
contido, num só instante!

Marina Ráz.

Aos pés do deserto

Argelino, esse sangue duro,
crepita em suas mão limpas,
socorre seus olhos da morte
desvairada morte de tudo e de todos.

Alguns, já nascem leões,
outros simples humanos.

Beba, sorria, seres-virtus!
O sol, numa gota de suor.

E sucede em cântaros:
será que escarro no mundo
ou lhe beijo as têmporas?

Marina Ráz.