sábado, março 26, 2005

Esse amor

sei que tudo atravessa
a pressa estendida, longa,
mais do que as pernas.
Por mais que eu meça
diga, conte ainda essa
ou outra peripécia.

O coração engessa
qualquer idéia dessa.

Marina Ráz

sexta-feira, março 18, 2005

Batráquios terríveis

Como como um bicho faminto
como como homens não minto
canibais sempre deixam vestígios.

Marina Ráz

domingo, fevereiro 06, 2005

Pálpebra invertida

Sobre meus ombros
semeiam centenas
de tempestades.
Como se o mundo
fosse um campo
crivado de espadas.

Minha alma aplaude
"destruam esse corpo
essa casca inimiga
que me consome
...jaula de muitos metros..."

Que desfrutem, tudo,
e dancem seus rituais
sobre minhas costelas.

Marina Ráz.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Descoberta, descoberta.

Tórrido o meu dedo
decreta o degredo
de todo segredo.

Marina Ráz.

domingo, dezembro 19, 2004

Árvores no peito

Que grito nasce aqui
onde habitava o silêncio?
Coleciono muitas culpas
sou sempre inquilina.

Para que guardar selos
de endereços entéricos
se há morte em tudo
e me faltam pretéritos.

A idéia me assoma
"viver não me assombra
morrer é uma sombra."

Marina Ráz.

segunda-feira, outubro 11, 2004

Centauros e Ángeles

Vamos pousar,
conter as palavras no silencio.
O corpo que se espalha no ar,
entre espinhos
não vejo nem sinto.
Meu corpo imóvel,
meu dorso indistinto.

Marina Ráz.

segunda-feira, setembro 13, 2004

Som li dão

Essa hora pássara.
E deixara vento no lugar de pegadas,
que só cães imensos poderão farejar!

Marina Ráz.

domingo, setembro 12, 2004

Umnósentido

Meu corpo num copo
me arrotam e celebram
esses homens são feras
demarcam o território
me urinam no solo.

Os sirvo novamente
cachaça, pão e ostra
degustam a última gota
como se estivessem
com um deserto na boca.

Marina Ráz

segunda-feira, agosto 30, 2004

Breve orquídea

Estanco buracos já secos
emudeço ecos, os enterro!
Ancoro navios no espaço,
sem cabaço sou um poço
san....gro....sso e espesso.

Marina Ráz.

domingo, agosto 29, 2004

A cadela rosada

Grama, grão, grama
o tempo deposita
na brita do corpo,
contorço! e a alma trama
na imensidão que triunfa
desistir |da jaula|.

Marina Ráz.
Este lado da verdade

No vácuo entre astros
as luzes surgem, são,
milhares, ares, aves!

Entre os dentes carrego
erro, o ego, um soluço
que no susto esvaziam.

A palavra que é carne
a berne sobre a pele.
Que alimenta o fato
do coração ser um cacto.

Marina Ráz.

sexta-feira, agosto 27, 2004

Só os lírios sabem

Meu corpo é cheio de farpas
Os dedos que me tocam, são
grossos e imperfeitos como joelhos.
Guardo, centenas de marcas
algumas cartas, uma canção.
Sei que errávamos e éramos
ainda amantes jovens
frágeis como coelhos.

Marina Ráz