quarta-feira, março 25, 2009

Toalha de mesa

A morte é simples
tudo se apaga, desliga,
clique! O que me intriga
é a vida. É como um dique,
que represa todo o tempo
e despercebida, torna todo
o meu mundo denso.
Cabendo dentro de um minuto.

Marina Ráz.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Cristal e cristaleira

Os velhos ainda sonham
Saem de sonhos,
como em guerra,
com-(o) o próprio corpo!

Mas as rugas não são medalhas
e não rugem tambores.
E nos seus olhos, glaucomas,
pequeninos; Lhe dizem adeus.

Marina Ráz.

sábado, janeiro 03, 2009

Chuva às 01:29

Meus olhos que despertam
além do teto que cobre
e o inseto que tece sua casa
suavemente alada.


Marina Ráz.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Analise acerca de Belchior

A máquina maquina
qual idéia será prima
passara de areia fina
carvão bruto de mina
martelo, lixa e lima
refina a brita reluzente
analisa, prepara e fixa.
Chamo-te de mente!

Marina Ráz.
Para momentos de cura

Tanto que teima
tentar, tento, tent(a)dor
fazer como f(l)or,
queimar.

Tento na |p|alma
guarda {enterrar},
o que há de mais
aterrador.

Marina Ráz.

terça-feira, novembro 04, 2008

Frappé

Onde vou encontrar você?
Se todas as pegadas estão
voltadas para trás
atrás de algo desconhecido.

Parecido com suor que
ara meu rosto o enrugando
deixando um gosto desconhecido.

Marina Ráz.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Vésperas incendiárias

Minhas entranhas estão grunhindo
acho que engoli um violino
desafinado e o seu músico
desajeitado.

Esses murmúrios secos
como dois gatos obesos
fazendo sexo no beco.

Eu posso sentir meu hálito
tomar a forma, crescer!
Áspero como um cacto.

Então jorra, transborda,
es
_co
__rr
___e,
da minha boca:

"Eu te amo."

Marina Ráz.

quinta-feira, maio 29, 2008

Minuto

Como despertar o tempo?
Na base do grito, um furacão...
eu tento e descubro um vão
entre o que desejo e o que
carrego com minhas mãos.

Marina Ráz.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Dois no Norte

Vou-me amor tecida
com um traje d'gala
sirvo e sou sorvida
como doce de bala
o significado só dito
ao pé do seu ouvido.

Marina Ráz.
Crocodilos amados

Toda mulher quer ser desejada
quer ser amada e querida
quer aparecer nua
louca, descarada e desinibida.

Mesmo mulher, menina ou senhora
isso não se ensina na escola
é algo que nasce que cresce e que brota
na pele, no corpo e na alma
como o diabo gosta.

Eu sou menina, lolita e safada
quem dera você tivesse gana,
garras e uma força tirana,
mas eu continuo cigana.
Quem dera eu fosse domada.

Marina Ráz.
Fígado de flor

Essa dor estupenda,
com o coração
feito oferenda
numa bandeja
inda! pulsa! e tenta.
Soco ou corro,
Na mente é ira
diz: Veja, veja:
- Amor é uma lenda?.

Marina Ráz.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Como uma pêra

Os minutos são míseros
tudo aflige a carne,
amor, pedras e erros
nada vence o tempo.
Rugas como colméias
se formam na face.
Cada uma é uma frase
em silêncio me dizendo
“a vida é um remendo”.

Marina Ráz.

sábado, janeiro 19, 2008

Clara disse

Todos os retratos de pessoas
são um retrato de Mona Lisa.
Pequeno sorriso, pequena vida.
Minha exigência é o meu tamanho,
meu vazio é a minha medida.
Viver me tira o sono, viver
que eu havia domesticado
para torná-lo familiar.
A vida se me é. A vida se me é,
e eu não entendo o que digo.
E então adoro.

Marina Ráz.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Brancas miragens

Sequer posso sentir os calos
que se amontoam como
pequenos dedos sob meus pés
meus passos são milagrosos,
pois me levam como cavalos
além de tudo que me cerca

e por mais que me perca
e me desfaça de todos
que ainda sabem sorrir
posso sentir puro na saliva
tudo que me faz viva.

Marina Ráz.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Como as costas de uma estátua

Não sei como amar você
se com chamas, pedras
ou correntezas.
Amo sem saber, como se
nascesse desse amor
e tudo nele me desse vida.
Sinto-me despida,
frágil e cheia de incertezas.

Mas quem é você? Existe mesmo?
Quem sabe não. Nunca existiu.
Aconteceu como a chuva,
furacões, erupções vulcânicas,
como Deus nas pessoas
ou a dúvida satânica.

Dizer. Quem sabe. Acalme, mate.
Ou ao menos; torture.
O que quero. Digo:
palavras, bendita de vocês; exorcizem.
- Olá.

Marina Ráz.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Para Leminski

Ele disse que era tudo possível,
menos encher uma garrafa dele mesmo,
pois é desse impossível cachorro
que ele se empenhou "um gole, um socorro!".

Marina Ráz.

terça-feira, agosto 28, 2007

Censura Impossível

Calabouços e cadafalsos,
nem luz ou resoluto.
Só sombras e pavor,
uns, garimpam ouro
E outros, gritam. De dor!

Vou seco, vazio, ermo.
se existem espetáculos
não me foram suficientes.

No meu rosto destruído,
(Rugas, pulgas, feridas).
Ainda vivem, esses olhos,
minha cordilheira titânica.

Marina Raz.

sábado, julho 14, 2007

Pois amem!

A pedra é uma presa,
mesmo rochosa, firme
e “eterna”. Pode a correnteza
liquida, disforme e passageira.
Deformar e liquidar com essa
certeza.

Marina Ráz

domingo, abril 22, 2007

Leite e pedra

Meus pés em passos de algodão
desconheço a palma da minha mão
onde então guardo o peso
de tudo levo em minha vida,
é num lugar que desconheço
essa pergunta vem do berço,

será que escrevo minha despedida
ou a minha chegada arrependida?

Marina Ráz

quarta-feira, dezembro 27, 2006

O coração posto a prova

Com essa força duradoura,
hora ferro, hora pedra em
brasa. O meu passo atrasa
o meu peito detém o ar.

Eu começo a transmutar
e me torno uma concha,
de casca espessa e dura.

Onde encontro a cura,
onde enterro os ossos
dessa minha armadura?

Marina Ráz